quinta-feira, 22 de maio de 2014

Surto

Não mais que de repente um grito, abafado grito, sufocado grito, delirante grito. Ninguém conseguiu ouvir, ele não foi lançado, ele foi engolido. Com força se lançou contra os dentes e já mecanicamente foi impedido. Ele então voltou e voltou destemido. Enquanto refez o percurso ele queimou, ele rasgou as cordas vocais - pude sentir a sensação exatamente agora - depois de ter destruído sua voz, entre o estreito canal que de tão pequeno se torna minúsculo diante de tanto pesar, o grito avistou o seu destino. Engrandecido de raiva ele virou Príncipe. Príncipe esse que não conseguiu assumir ao trono real, foi impedido de cumpri seu papel e agora ele quer o atingir, ele quer te culpar por ser tão fraco que não conseguiu o libertar, não conseguiu deixar ele fazer a passagem. Então ele fez-se dono do seu estômago, te fez se curvar de dor diante dele. E a lágrima que caiu do seu olho, não despercebida é a prova de que ele não cumpriu o papel!

Nota mental: A essência do ser é a liberdade de decidir o seu caminho. Quando é impedido de seguir o fluxo natural da alma, ele acaba por ser morto. Ou pior... sobrevivo.

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